pô, a mensagem que o autor tentou passar podia ter sido muito melhor executada. o problema não é nem a ideia central, mas como ela é trabalhada. ao meu ver, não faz sentido o protagonista começar a tratar a mina como figura materna ignorando completamente o fato de ele ter transando com ela e ter a amado romanticamente. isso quebra a coerência interna da obra, porque durante praticamente toda a narrativa ele não projeta nela uma “mãe”, mas sim a única ponte afetiva e sexual que ele tem com o mundo exterior. e isso é literalmente o eixo do desenvolvimento dele.
dá pra entender que o autor quis transformar ela em algo mais simbólico, quase como uma “figura de salvação”, uma representação de cuidado, o tipo de coisa que falta na vida de um hikikomori. só que essa virada pra “maternal” acontece de forma brusca e mal construída, então em vez de parecer uma evolução temática, parece só uma contradição. e isso piora quando você analisa a função dela na história: ela é a única linguagem emocional que ele consegue entender. tudo que ele reconstrói, confiança, desejo, vínculo; passa por ela. então quando ela simplesmente some, sem pelo menos um diálogo real, o ritmo da obra não leva isso pra algo natural.
até dá pra defender que a intenção era essa: forçar ele a sair da dependência extrema. só que, na prática, a obra não mostra esse processo de forma convincente. parece mais um corte abrupto do que uma transição. e considerando o estado mental dele, o mais coerente seria justamente o contrário, ele entrar em colapso total. outro ponto é que o mangá desperdiça tempo com 3 cap só de sexo, em vez de aprofundar o trauma, que ocupam espaço que poderia ter sido usado pra desenvolver melhor a backstory dele, o motivo do isolamento, a relação com a mãe original e o impacto psicológico disso tudo. a ideia de que ele deveria enxergar ela como alguém que o ajudou e não como uma mãe, seria muito mais consistente com tudo que foi construído antes e sinceramente, considerando toda a trajetória, faria mais sentido ele terminar com ela, ou pelo menos ter um fechamento mais direto com essa relação. essa tentativa de forçar uma leitura mais “maternal” parece mais uma intenção do autor do que algo que realmente emerge da história. tudo isso e o cz ainda ficou sem a porra do cachorro, tmnc