Acabei de terminar de ler e gostei bastante da história. As partes gores e de suspense foram ótimas. O Mamiya era ridículo pra caramba, mas depois que acostuma não tem como não rir dele.
A moralidade sendo questionada no meio da história foi incrível!! E a relação deles no final foi muito querido, mesmo que o Mamiya ainda me deixe desconfortável.
Vou desabafar um teco e falar sobre traumas sexuais. Caso não queira ler saiba que recomendo o mangá. E que gostei muito da história
.
.
Algo que quase nunca vejo em mídias e obras é o tipo de relação que o Sada-kun e o Mamiya tinham com relacionamentos românticos e sexuais, e com o sexo e contato físico. Para mim, alguém é aroace (num espectro), foi simplesmente magnífico o quão verossímil Sada-kun era com relação a ter contato e relações sexuais com outras pessoas (acho que a minha experiência com sexo foi super semelhante, mas meu problema com me relacionar com outros caras não tenha vindo do mesmo lugar, mesmo tendo resultados semelhantes).
Então quando ele disse preferir o aconchego e beijos (e tbm dry humping, hehe) eu simplesmente fiquei gag de como eu descrevo exatamente assim minhas preferências. E ter visto claramente outra pessoa ter as mesmas preferências que eu me fez finalmente não me sentir um alienígena marciano. Eu chorei nesse momento.
Já com o Mamiya não tive tanto apresso, mas tive traumas mais verossímils ao dele, que também resultou em eu ter problemas com ficar despido/vulnerável e ser tocado por outros; de não conseguir relaxar e nem confiar no outro para poder sentir prazer. É doloroso de perceber como é real e, como ele, também me afeta em ambitos abrangentes (não conseguir considerar alguém como amigo, se afastar de todos, ter dificuldade de socialização e comunicação com o próximo).
Como um cara traumatizado e tentando se curar depois de anos reprimindo o resentimento e problemas pelos quais eu passei, ter descoberto por acaso essa história foi surpreendentemente mágico para mim. E ainda de brinde temas que amo?? Divino!
E gostaria que fosse claro que mesmo que eu tenha tido sim problemas com sexo e amor romântico eu ainda me considero aroace, pois acredito que os traumas vieram de um lugar onde as minhas preferências e limites não foram respeitados. Em outras palavras, quem veio primeiro foi eu ser AroAce, pelas preferências, e depois os traumas, por não ter tido respeito nem cuidado nem abertura (etc) para eu poder expressar os meus desejos.